Plantas daninhas: 5 espécies mais difíceis de controlar

A presença de plantas daninhas na lavoura preocupa produtores de diversos cultivos de importância agrícola. De uma forma geral, uma correta aplicação de herbicidas reduz ou resolve o problema. No entanto, existem espécies muito resistentes ao tratamento químico, o que dificulta o manejo, aumentando custos por aplicação e reduzindo produtividade por competição. No artigo de hoje, separamos as plantas que apresentam as maiores dificuldades de controle, para que o produtor realize o melhor controle.

Buva (Conyza bonariensis)

É planta invasora dos principais cultivos  agrícolas como milho, soja, algodão e cana-de-açúcar. Muito conhecida por sua dificuldade de controle, está presente em todas as regiões produtivas do Brasil. São plantas anuais, eretas, que produzem grande quantidade de sementes, que são espalhadas pelo vento (até 1,5 km de distância) e por isso se disseminam com muita facilidade no cultivo. Germinam principalmente na entressafra (junho a setembro), coincidindo com o período de pousio. As sementes precisam de luz e temperaturas médias entre 20°C a 25°C para se desenvolverem, por isso apresentam menor ocorrência em áreas de plantio direto.
A principal forma de controle da buva, é através do uso de herbicidas. No entanto, o uso do glifosato como única forma de controle da planta na cultura da soja, selecionou populações resistentes, e este químico tem apresentado baixa eficiência. Para impedir o surgimento de plantas resistentes a moléculas de herbicidas, é essencial realizar a rotação dos mecanismos de ação dos produtos, para reduzir a pressão de seleção e garantir o controle. Além disso, deve-se seguir as recomendações de bula para a cultura e para a planta daninha quanto ao estádio fenológico, época de aplicação e dose.

Foto: Fernando Adegas

Amendoim-bravo (Euphorbia heterophylla)

Também conhecida como leiteiro é uma das principais espécies infestantes de lavouras e por se desenvolver muito rápido, apresenta alto grau de competitividade em relação à planta cultivada. Muito resistente ao controle, suas sementes podem germinar em até 12 cm de solo e permanecerem viáveis por vários anos. Seu ciclo é curto e pode ocorrer várias gerações em um ano. Possui bom desenvolvimento em solos férteis e úmidos e boa capacidade de rebrote quando atingida por herbicidas de contato.
A espécie também apresenta resistência ao glifosato e segundo a Embrapa, o custo de produção, por exemplo, da soja pode subir de 42% a 222% em função dos gastos com outros herbicidas e causar perda de produtividade. Por isso, além de rotacionar herbicidas, é indispensável a utilização da dose recomendada do produto, para reduzir a chance de seleção de plantas resistentes.

Imagem: Agrolink

Caruru (Amaranthus palmeri)

É uma espécie exótica de caruru, de crescimento rápido e agressivo, podendo produzir de 100 mil a 1 milhão de sementes. É muito resistente a herbicidas e por isso eleva o custo de manejo e reduz a produtividade. Por ter um alto e rápido potencial de crescimento, suas folhas conseguem captar muita luz e consequentemente produzirem muita energia para se desenvolverem. Sua taxa de crescimento é de 4 cm a 6 cm por dia e pode atingir 2 metros de altura. Ou seja, não existe cultura comercial que consiga competir com essa espécie. Suas sementes são pequenas e são facilmente distribuídas pelo vento, pela movimentação humana no campo, animais e implementos agrícolas.
Como existem várias espécies de caruru, é importante saber reconhecer a A. palmeri, para agir de forma eficaz no controle: os pecíolos das folhas são iguais ou maiores que as folhas; apresenta flores masculinas e femininas separadas por planta;  e as folhas podem apresentar manchas brancas em forma de “V”. É muito importante que o produtor realize o monitoramento frequente e a identificação precoce, pois isto, permitirá que o controle seja aplicado de forma mais eficiente. Devido a sua alta resistência, os herbicidas devem ser aplicados em pré-emergência para aumentar a eficiência de controle.

Por:IKEDA, Fernanda Satie


Capim amargoso (Digitaria insularis)

Apresenta grande capacidade de crescimento e desenvolvimento em lavoura de grãos, prejudicando diretamente a produtividade. É uma planta de ciclo perene que pode durar até 2 anos. Se reproduz através de sementes e apresenta estruturas subterrâneas de reserva conhecidas como rizomas. Estas estruturas permitem que a planta apresente uma grande capacidade de recuperação da parte aérea, caso tenha sofrido danos causados por corte mecânico ou ação de herbicidas. Também apresenta alta capacidade de produção de sementes, que pode chegar a mais de 100 mil por inflorescência. A disseminação ocorre principalmente pelo vento, o que aumenta sua capacidade de dispersão.
Infelizmente, neste caso, o sistema plantio direto favorece o desenvolvimento do capim amargoso. O revolvimento do solo, enterra as sementes da invasora, além de destruir os rizomas, impedindo o rebrote. Sem esse manejo, a capacidade de infestação do capim aumenta. A espécie apresenta resistência ao glifosato, apesar de algumas populações ainda serem suscetíveis. Ainda é recomendado o uso do produto, pois auxilia no manejo de outras invasoras e associado com outros herbicidas, pode melhorar o controle dessa espécie. A recomendação é que se realize mais de uma aplicação de herbicidas, com primeira aplicação de sistêmicos, seguindo com aplicações sequenciais de herbicidas de contato.

Imagem: CONCENÇO, Germani

Corda de viola (Ipomoea acuminata)

Apresentam característica de se entrelaçar na planta de interesse, competindo diretamente por água, luz e nutrientes. Trazem também prejuízos à colheita, bloqueiam o cilindro das colhedoras e comprometem a eficiência do processo. De ciclo anual, se reproduz por sementes e pode atingir até 3 metros de altura. Suas sementes apresentam grande quantidade de reserva e conseguem emergir sob camada de palhada, o que permite à planta se desenvolver em sistema plantio direto. Apresentam crescimento muito rápido e são bastante adaptáveis aos diferentes solos e fertilidade.
A corda de viola mostra tolerância ao glifosato, principalmente quando o herbicida é aplicado em estádio fenológico mais avançado. Os herbicidas em pré-emergência apresentam um bom controle da espécie. Já os de pós-emergência, considerando os de ação total, recomenda-se que a aplicação seja realizada em estádio inicial (2-4 folhas).

Imagem: Agrolink

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