Monitoramento de pragas: uma prática que pode salvar sua lavoura.

O monitoramento de pragas é fundamental para garantir o sucesso do manejo Integrado de Pragas - MIP!

Através da inspeção da lavoura é possível entender qual ou quais pragas estão ocorrendo ao longo de todo o ciclo da cultura, estimar a densidade populacional e danos causados por essas pragas, além de estimar a ocorrência do controle natural. Tudo isso, permite ao produtor uma tomada de decisão assertiva, evitando aplicações desnecessárias, tardias ou antecipadas. Gerando maiores lucros devido ao aumento da produtividade e/ou redução dos custos no controle de pragas.

NDE e NC: o que são e porque são importantes no monitoramento


O Nível de Dano Econômico (NDE) indica a menor população da praga capaz de causar danos econômicos significativos ao cultivo. O Nível de Controle (NC) indica o momento economicamente correto para adoção de uma medida de controle. O NC é inferior ao NDE, assim oferece uma margem de segurança para que o produtor aplique o controle e evite que a população cresça causando prejuízos.
Quando iniciar o monitoramento?

O monitoramento de pragas deve começar antes do início da safra. Dessa forma é possível diagnosticar infestações de pragas residentes na área por volta do plantio, como pragas de solo que atacam as raízes e pragas iniciais que atacam a parte aérea das plântulas logo após a emergência.  Com as lavouras estabelecidas, as amostragens devem ser frequentes para acompanhar a flutuação populacional dos insetos praga e inimigos naturais durante todo o desenvolvimento do cultivo. No entanto, os métodos de amostragens de pragas podem variar de acordo com a cultura, tipo de inseto que será monitorado, idade da planta e precisão desejada.

Monitoramento na cultura da soja


Os métodos de amostragem mais indicados são: amostragem de solo para pragas de hábito subterrâneo (corós, percevejo-castanho), e vistoria da palhada para pragas que se encontram na superfície do solo (lagarta-elasmo, lagarta-rosca, lagarta-armigera, predadores). Ambos os métodos devem ser utilizados no monitoramento pré-plantio.

Após a germinação da lavoura, a parte aérea da soja é atacada, principalmente, por lagartas (lagarta-da-soja, lagarta-falsa-medideira, lagarta-das-vagens e o complexo Spodopetera) e percevejos (percevejo-marrom, percevejo-verde, percevejo-verde-pequeno e percevejo-barriga-verde).  

Para monitoramento destas espécies é utilizada a técnica do pano-de-batida que consiste em um pano ou plástico branco de 1 m de comprimento e 1,5 de largura, preso entre duas varas. Primeiramente se estende o pano na entrelinha da cultura, posicionando uma vara rente a base das plantas da fileira que será avaliada e a outra vara sobre as plantas da fileira ao lado. Após, deve-se sacudir vigorosamente as plantas a fim de coletar os insetos. Em seguida o monitor deve contar e registrar as informações de coleta de acordo com a espécie e tamanho do inseto coletado. Em cada ponto de amostragem deve-se realizar apenas uma batida-de-pano, ou seja, um metro linear de soja. Já o número de pontos no talhão pode variar de acordo com a precisão desejada, mas é recomendado pelo menos seis pontos para lavouras de até 10 ha, oito pontos para lavouras de até 30 ha e 10 pontos para lavouras de até 100 ha.

Monitoramento na cultura do algodoeiro


Um grande complexo de pragas ataca as lavouras de algodão. Entre elas podemos destacar o bicudo (Anthonomus grandis), a broca da raiz (Eutinobothrus brasiliensis), a mosca branca (Bemisia tabaci), o pulgão do algodoeiro (Aphis gossypii), o ácaro-rajado (Tetranychus urticae), o ácaro vermelho (Tetranychus ludeni) e o complexo de lagartas que atacam as estruturas reprodutivas  (P. gossypiella, H. armigera, C. virescens, S. frugiperda).

Além dos métodos de amostragem pré-plantio, já descritos acima para a cultura da soja, é fundamental que o produtor também adote o uso de armadilhas com feromônio para bicudo. O armadilhamento deve ser instalado ao redor das áreas 60 dias antes da semeadura do algodão. Cada área monitorada é classificada com base no número de adultos capturados e a indicação de controle, quando necessário, deve ser aplicado na lavoura quando aparecer o primeiro botão floral.

Com a lavoura já em desenvolvimento, a recomendação é realizar em cada ponto amostrado a inspeção de 3-5 plantas durante o a fase vegetativa e 1 planta na fase reprodutiva, examinando cuidadosamente todas as partes da planta (folhas, hastes, pecíolos, botões florais, flores, maças, capulhos). A frequência de amostragem indicada varia de 5 dias no vegetativo e 3 dias após o aparecimento do primeiro botão floral, período este crítico para a lavoura, principalmente devido ao risco de ataque do bicudo.

Segundo a EMBRAPA através do monitoramento de pragas é possível reduzir até 50% dos custos com aplicação. Além disso, durante o monitoramento é possível registrar também a presença de inimigos naturais e escolher defensivos que sejam mais seletivos e favoreçam a presença desses agentes de controle natural.

Patricia Lima Soares | Entomologista


Referências

CORREA-FERREIRA, B.S. Amostragem de pragas da soja. In: HOFFMAN-CAMPO, C.B. et al. Soja - Manejo integrado de insetos e outros artrópodes-praga. Brasília: Embrapa, 2012. Cap.9, p.631-672.

EMBRAPA – EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Manejo Integrado de pragas do algodoeiro no cerrado brasileiro.

EMBRAPA – EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Manejo Integrado de Pragas (MIP) na cultura da soja: um estudo de caso com benefícios econômicos e ambientais.

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