Monitoramento de pragas: o manejo que pode salvar sua lavoura.

O monitoramento de pragas é uma prática fundamental para garantir a produtividade nos cultivos agrícolas. Através deste manejo é possível saber o momento da entrada da praga no campo, determinar a situação destas na cultura, avaliar o nível de dano econômico e realizar a aplicação de defensivos no momento certo e com mais efetividade. Além disso, conhecendo quais as pragas incidentes no cultivo é possível determinar qual o melhor controle a ser realizado na lavoura. Tudo isso, reduz custos ao produtor e permite uma melhor tomada de decisão. No entanto, cada cultivo tem sua especificidade em relação ao modo de realizar o monitoramento, por isso é fundamental conhecer estas diferenças para realizar o manejo corretamente.

Quando iniciar o monitoramento?

O monitoramento de pragas começa antes do início da safra, assim é possível registrar toda a incidência das pragas desde o início, a fim de tomar a melhor decisão para controle. O monitoramento é realizado através de amostragens periódicas no campo, que são diferentes entre os cultivos agrícolas, como veremos a seguir. O manejo deve ser realizado regularmente para que se conheça a densidade populacional e o Nível de Dano  Econômico (NDE).

NDE: o que é e qual sua importância no monitoramento?

O Nível de Dano Econômico (NDE) é uma informação valiosa para tomada de decisão no controle de pragas. Este índice mede a densidade populacional de uma praga que é capaz de causar prejuízo de igual valor ao seu custo de controle. A fórmula para cálculo de NDE é bem simples, NDE (%) = (Valor da produção da cultura / Valor da aplicação) x 100, como base de cálculo o investimento no controle só se justifica quando a densidade populacional atingir um nível que ocasione perda de 10% na produção.

Monitoramento no cultivo da soja

Como já comentado neste artigo, cada cultivo apresenta uma incidência de diferentes espécies de pragas e por isso a forma de realizar o monitoramento é diferente. No cultivo da soja as principais pragas são o percevejo-marrom-da-soja (Euschistus heros), percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildini) e percevejo-verde (Nezara viridula). Além destas, as lagartas desfolhadoras também podem causar danos severos ao cultivo como a lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), a falsa-medideira (Chrysodeixis includens) e a lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus).

Para monitoramento destas espécies é utilizada a técnica do pano-de-batida que consiste utilizar um pano ou plástico branco de 1 m de comprimento por 1 m de largura preso entre duas varas. Para iniciar o monitoramento primeiramente se estende o pano entre duas fileiras da cultura. Após, deve-se sacudir as plantas das duas linhas sobre o pano, a fim de coletar as pragas. Com os insetos já no pano, começa a verificação e contagem das espécies, verifica-se o número de adultos e jovens e realiza-se o registro da amostragem. A recomendação é que sejam realizadas no mínimo seis amostragens como esta em lavouras de até 10 ha, oito para lavouras de até 30 ha e 10 para lavouras de até 100 ha. A avaliação deve ser realizada semanalmente.

Monitoramento no cultivo do algodão.

As principais pragas do cultivo do algodão são o bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis), a broca da raiz (Eutinobothus brasilienis), a mosca branca (Bemisia tabaci), o pulgão do algodoeiro (Aphis gossupii), o percevejo castanho (Scaptocoris castanea) o ácaro-rajado (Tetranychus urticae), ácaro vermelho (Tetranychus ludeni) e o ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus) e as lagartas do gênero Spodoptera. Como é possível verificar, a cultura do algodão apresenta pragas de diversas espécies, por isso o monitoramento deve ser realizado levando em consideração essas especificidades.

A recomendação para monitoramento no algodão é dividir as áreas em talhões de 100 ha, realizar amostragens em 100 plantas/talhão, escolhendo 20 pontos com 5 plantas. Nessa análise, deve-se registrar todas as pragas presentes na planta para entender quais as de maior incidência e quais as mais prováveis de chegarem ao Nível de Dano Econômico. A frequência de amostragem é entre 3 e 7 dias, mas pode ser maior caso alguma praga esteja em um nível mais alto de infestação.

Segundo a EMBRAPA através do monitoramento de pragas é possível reduzir até 50% dos custos com aplicação. Além disso, durante o monitoramento é possível registrar também a presença de inimigos naturais e escolher um defensivo que seja seletivo a estes, favorecendo a dinâmica populacional das espécies no cultivo.


Referências

CORREA-FERREIRA, B.S. Amostragem de pragas da soja. In: HOFFMAN-CAMPO, C.B. et al. Soja - Manejo integrado de insetos e outros artrópodes-praga. Brasília: Embrapa, 2012. Cap.9, p.631-672.

EMBRAPA – EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Manejo Integrado de pragas do algodoeiro no cerrado brasileiro. Disponível em: <https://www.embrapa.br/documents/1344498/2767789/manejo-integradode-pragas-do-algodoeiro-no-cerrado-brasileiro.pdf/a9c122a3-6d07-44b4-a281-6c50682c31bd>

EMBRAPA – EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Manejo Integrado de Pragas (MIP) na cultura da soja: um estudo de caso com benefícios econômicos e ambientais. Disponível em: <https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1098927/manejo-integrado-de-pragas-mip-na-cultura-da-soja-um-estudo-de-caso-com-beneficios-economicos-e-ambientais>

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