Forrageiras para proteção do solo: como acertar na escolha.

A proteção do solo na entressafra é fundamental para sua conservação e uma também para a melhor escolha das plantas visando rotação de culturas. Utilizar plantas forrageiras para cobrir o solo é uma excelente opção e protege a área diversos problemas relacionados à erosão e lixiviação de nutrientes. Manter o solo coberto além de evitar perdas, também auxilia na ciclagem de nutrientes e manutenção da qualidade do solo que resultará em uma safra com maior produtividade. Nesse sentido a escolha correta das plantas que farão parte de sistema é fundamental e deve ser escolhida levando em consideração características de cada área.

Neste artigo, vamos apresentar algumas espécies que além de proteger o solo, também podem ser uma ótima alternativa de cultivo.

1. Crotalária

Planta leguminosa de crescimento bastante rápido, é uma ótima alternativa de proteção do solo, melhora a fertilidade, auxilia na fixação biológica de nitrogênio e no controle plantas invasoras. Seu uso também é recomendado para controle de nematoides, pois libera substâncias tóxicas no solo capaz de controlar essa praga. Por ser considerada uma planta tóxica, é importante tomar cuidado para não ser ingerida por humanos, nem animais domésticos.

As principais espécies utilizadas são a Crotalaria spectabilis, Crotalaria ochroleuca e a Crotalaria juncea, pois proporcionam excelente cobertura de solo e produzem grande quantidade de massa verde. São indicadas para uso em rotação de cultura com soja, milho e algodão. O período de plantio ocorre após a colheita da soja, algodão e segunda safra do milho.

Se adapta muito bem a seca e ao clima quente, apresenta florescimento rápido em torno de 90 a 120 dias após o plantio. Se adapta a solos de média a alta fertilidade e sua semeadura pode ser realizada na linha ou a lanço. A produção de matéria seca varia entre 18 a 20 ton./ha/ano. A planta não apresenta caráter comercial seu principal benefício está associado a conservação do solo.

2. Brachiária

É uma planta muito utilizada no sistema integração lavoura-pecuária, as espécies mais conhecidas são Brachiaria decumbes, Brachiaria ruzizensis, Brachiaria humidicola. Além de melhorarem a qualidade do solo e trazerem ganho de produtividade para outras culturas quando em sistema de rotação, ainda pode ser utilizada na alimentação animal. São plantas ricas em nutrientes, apresentam bom enraizamento alta taxa de produção de massa foliar. Os principais benefícios de seu uso são: elevada formação de palha; estruturação do solo; alta produção de raízes; descompactação do solo; alta reciclagem nutricional; redução do dano de nematoides; controle de plantas invasoras, e; fácil dessecação.

Seu cultivo pode ser realizado em solos de baixa, média e alta fertilidade (importante observar a característica de cada espécie) e se adaptam bem a solos alagados. São plantas de clima tropical e não toleram geadas. A semeadura é realizada geralmente a lanço, sempre em segunda safra, no sistema de monocultivo ou consórcio.

3. Feijão de porco

Photo: Fernando Sinimbu

De nome científico, Canavalia ensiformis, é uma espécie bastante conhecida e cultivada na região nordeste. É uma excelente alternativa para minimizar os danos causados ao solo pela sua prática intensiva. Além de exigir baixo investimento e custo de manutenção, seu cultivo é recomendado como adubação verde e cobertura morta do solo. O clima ideal para o cultivo é o tropical úmido com média anual de 26ºC. Apresenta características favoráveis ao consórcio com outras culturas, por ser uma planta rústica, tolerante ao sombreamento parcial, resiste a altas temperaturas e a seca.

Por apresentar rápido crescimento inicial e fechamento, é ótima para controle de ervas daninhas. Por ter porte baixo e não ser trepadora, pode ser cultivada nas entrelinhas de culturas perenes, como citrus, café, dentre outras. A época de semeadura com objetivo de cobertura do solo e adubação verde vai de outubro a janeiro.

4. Sorgo

O Sorghum bicolor possui característica de ser tolerante a condições de estresse hídrico que permite um grande período de cultivo. Além de ser utilizado na proteção e conservação do solo, a cultura pode ser utilizada na alimentação humana e animal. Seu custo de implantação e manutenção é menor do que outros cultivos semelhantes, se tornando uma ótima alternativa para o produtor. A planta possui boa capacidade de rebrota, produz boa quantidade de matéria seca e alta proporção entre carbono e nitrogênio. Atualmente o cultivo já é todo mecanizado e pode ser comercializado com até 90% do valor do grão de milho.

No cultivo de sorgo é importante estar atento para a fertilização do solo, que deve ser corrigida com a necessidade das plantas. A adubação correta acelera o ciclo de produção, o que permite que este não passe pela estação da seca. A semeadura ocorre entre setembro e novembro, dependo do início das chuvas. Como é uma planta de dias curtos, quando plantado tardiamente reduz o porte e afeta a produção de matéria seca total.

5. Milheto

Pennisetum americanum é utilizado como planta de cobertura no plantio direto, adubação verde ou pastejo. Apresenta baixa necessidade de fertilidade e resistência a seca, alto potencial de descompactação do solo e produção de matéria seca. Ótima opção para uso no plantio direto pois os nutrientes da planta permanecem na palhada e favorecem a fertilidade da cultura subsequente. Possui baixa exigência hídrica e sua produção de matéria verde pode chegar a 70 t/ha. Seus principais benefícios são: ciclagem de nutrientes; proteção do solo; combate a nematóides; combate a plantas invasoras; baixo índice de perda de sementes; baixa exigência de fertilizantes e defensivos. Sua semeadura deve ser realizada na safrinha, em linha ou a lanço, após a colheita do cultivo da safra, no período de janeiro até o final de abril.

Por fim, seja  qual for sua escolha (qualquer uma das opções acima podem ser usadas como planta de cobertura ou adubação verde), é imprescindível a análise de acordo com sua região e necessidade para o solo onde será o plantio.


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