De olho no milho safrinha: cuidados para uma excelente safra.

O que é milho safrinha? Será que é vantajoso? Quais são suas principais características? Qual época iniciar? Como garantir os cuidado do cultivo? Todas são perguntas bem frequentes quando o assunto é milho de segunda safra. Aliás, este cultivo está ganhando relevância entre os produtores no cenário agrícola nacional. Ao longo deste artigo, vamos sanar as principais dúvidas sobre esta forma de produção.

O que é milho safrinha?

A semeadura do milho safrinha ocorre logo após a colheita da safra principal, entre os meses de janeiro e abril. O milho é uma das culturas que mais sofre com a falta de irrigação, por isso, este é um ponto importante para manter uma produção de qualidade. De forma geral, quanto mais cedo iniciar o cultivo, maior será o volume de chuvas captadas e menor será o tempo de seca durante o ciclo. Além disso, a baixa luminosidade e a queda de temperatura podem retardar o crescimento e diminuir a produtividade. As melhores áreas para cultivar milho safrinha são aquelas que apresentam solos argilosos e que permitem armazenamento de água. Além disso, solos onde se pratica o plantio direto e apresentam uma boa dose de matéria orgânica tem a capacidade de maior retenção da água, favorecendo o cultivo. No Brasil, os principais estados produtores são Mato Grosso, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Vantagens do cultivo

Atualmente, o milho safrinha passou a ser conhecido também como milho de segunda safra, devido  ao crescimento de seus níveis de produtividade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) este tipo de cultivo já representa quase 70% do total da área plantada com milho no Brasil. Os principais motivos para o crescimento são a remuneração que a cultura está apresentando na safra verão e a possibilidade de cultivo após a safra da soja. Outras vantagens estão relacionadas ao preço dos insumos que em geral ficam mais baixos nesta época, a possibilidade de aproveitar os insumos utilizados na safra e a proteção do solo pela safra anterior.

Cuidados necessários para garantir a produção.

Para garantir a produção é fundamental estar atento aos manejos adequados. Os principais serão destacados abaixo:

Variedades: Como o milho safrinha é cultivado em um período de baixa luminosidade, queda de temperatura e pouca chuva, a variedade de semente escolhida precisa suportar estas adversidades. De forma geral, é recomendada a utilização de uma variedade mais rústica que suporte as intempéries, a concorrência com as plantas invasoras e  resista a pragas e doenças. A escolha de uma semente de forma incorreta pode prolongar o ciclo do cultivo por até 20 dias, levando a planta ter perda de vigor e produtividade. De forma geral, na safrinha, as cultivares de milho apresentam um ciclo mais prolongado. Por isso se a colheita da safra foi tardia, o ideal é utilizar uma variedade precoce. No caso de regiões com queda de geada no final do ciclo a recomendação é usar uma variedade superprecoce.

Adubação: Em solos que foram corrigidos na safra (via análise de solo), o ideal é realizar somente a reposição do nitrogênio. Deve ser realizada adubação de cobertura entre os estágios de sexta folha (V6) e oitava folha (V8)  A calagem deve ser realizada somente quando necessário. De forma geral, a planta de milho não apresenta grandes diferenças na produção devido a adubação de macro e micronutrientes, exceto nitrogênio.

Plantas invasoras: No caso do plantio direto, as plantas invasoras ou daninhas apresentam dificuldade de desenvolvimento devido a presença da palhada. Este fato diminui a competição por nutrientes com as plantas de milho. No entanto, até o estágio da quarta folha (V4) é recomendado realizar a aplicação de herbicidas de uma forma preventiva. É importante lembrar que, através do histórico da propriedade e monitoramento constante é possível saber quais as plantas daninhas ocorrem em maior abundância e planejar o controle das mesmas.

Foto: Fabiano Bastos / Embrapa

Pragas: As espécies praga presentes na safrinha, são muito semelhantes às que ocorrem na safra. No entanto é importante atentar para a sazonalidade das mesmas. Muitas espécies acabam migrando do cultivo anterior e continuam seu ciclo no milho safrinha. De acordo com o monitoramento de pragas da safra anterior, é possível prever quais serão as espécies de maior incidência a safrinha. Por exemplo, soja com alta incidência de larva-alfinete (Diabrotica speciosa) ou com surtos de lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) dão indícios da presença destas pragas no milho safrinha. As espécies que apresentam maior dano econômico nesta fase são a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) transmissora do enfezamento pálido e vermelho e a mosca branca (Bemisia tabaci) transmissora de viroses. É de fundamental importância a detecção destas espécies, pois por apresentarem hábito sugador, podem disseminar patógenos rapidamente no cultivo, sendo este o principal dano associado a elas. Outras pragas de importância são corós (Phyllophaga spp., Cyclocephala spp. e Diloboderus abderus), larva-arame (Agriotes spp.), lagarta-rosca (Agrotis ipsilon), larva-alfinete (Diabrotica speciosa); e a lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea) no reprodutivo.

A safrinha do milho apresenta diversas vantagens, principalmente econômicas. No entanto, na hora de decidir sobre o cultivo é importante fazer o planejamento adequado desde a variedade escolhida até o momento da colheita. É fundamental levar em consideração as características de cada propriedade e região. Assim, a safrinha do milho tem todas as chances de apresentar uma excelente produtividade.


Fontes:

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (IBGE) – Época de plantio e cultivares de milho safrinha.  

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (IBGE) – Milho Safrinha.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE) - Censo Agropecuário 2017.

Imagem Cigarrinha: Embrapa

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