Cultivo do café: Quais as principais práticas para garantir rentabilidade.

O Brasil é o maior produtor mundial de café. Responsável por 30,4% da produção mundial, possui 11 regiões produtoras, 1,88 milhão de hectares plantados e produtividade média de 25 e 30 sacas por hectare. No país, são cultivadas diferentes variedades do fruto, dentre estas, a mais conhecida e com maior abundância em área plantada (75%) é a arábica.

Apesar de ser um cultivo histórico no país, a cafeicultura teve sua área de produção reduzida nos últimos anos. Os estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Bahia que respondiam por 76% do total do cultivo em 2017, correspondem, atualmente à 92% da área total de produção. A demanda pela produção do grão de café é mundial, e é um mercado a ser explorado, por isso reunimos neste artigo as principais práticas para manejar corretamente a lavoura de café.

Inicialmente, cultivar café é rentável?

Para o cultivo ser rentável é necessário avaliar muito bem todos os custos envolvidos com a produção.  Para isso, deve-se registrar o custo efetivo (mão-de-obra, fertilizantes, energia, impostos etc), o custo operacional total (máquinas, benfeitorias etc) e avaliar a lucratividade frente a venda. Se o saldo for positivo, existe rentabilidade na produção. O preço da saca de café varia de acordo com a qualidade do produto e sua classificação. Por exemplo, o preço da saca do café arábica gira em torno de R$ 570,00 (Março de 2020 – CEPEA/ESALQ). O café que se destaca no mercado e possui o maior valor agregado é aquele que vai proporcionar uma bebida de boa qualidade. Cultivos que adotam boas práticas na produção, conseguem maior rentabilidade devido a valorização do produto na venda. Corrigir e adubar o solo corretamente, utilizar técnicas de poda adequadas, proteger a lavoura contra pragas e doenças, realizar uma colheita eficiente são práticas fundamentais para garantir frutos de boa qualidade e aumentar seu valor no mercado e consequentemente sua rentabilidade.

Como adotar boas práticas?

Clima: Para escolher a área é fundamental avaliar se a região se encontra do zoneamento agroclimático para o cultivo. O DHA (déficit hídrico anual), que avalia o quanto o índice de precipitações são inferiores ao de evapotranspiração das plantas, deve ‘ser  inferior a 150 mm anuais. As temperaturas médias da região devem ficar entre 18°C e 23°C para garantir um bom desenvolvimento das plantas.

Altitude: É um parâmetro muito importante para o cultivo de café, tem relação direta com a maturação dos grãos que não suportam baixas temperaturas e umidade. Altitudes elevadas apresentam, em geral, temperaturas mais baixas e maior umidade. Por isso, o cultivo de café em locais com alto relevo não é indicado, pois pode prejudicar diretamente a maturação dos grãos.

Topografia: As áreas planas são as mais indicadas para cultivo de café, pois facilitam a mecanização, evitam a erosão e protegem o solo.

Incidência de luz solar: No planejamento de implantação da lavoura, é importante evitar que o sol, nos períodos mais quentes e secos do dia (final da tarde), incida diretamente sobre um dos lados das plantas. Assim se evita a “escaldadura” nas folhas e frutos, que ocorre devido a queima dos mesmos pelos raios solares e prejudica folhas e frutos. Para melhor adequação da área, o plantio deve ser realizado no sentido leste-oeste.

Solo: Por ser uma planta perene, expande suas raízes durante o desenvolvimento e, por isso, necessita de solos mais profundos para se desenvolver. Na amostragem de solo recomenda-se avaliar as camadas em até 80 cm de profundidade.

Adubação: Recomenda-se a correção e adubação de acordo com a análise do solo. A calagem deve ser realizada em área total e adicionado 500g a mais de calcário em cada sulco. Na adubação, além do NPK deve-se priorizar a aplicação de fertilizantes com altas quantidades de potássio, pois o cultivo do café é muito exigente neste nutriente.

Cultivar: No mercado brasileiro, existem diversas cultivares de café, sendo as mais conhecidas a Catuí e a Mundo Novo. No entanto, na escolha da cultivar deve-se se atentar principalmente ao tipo de manejo que será utilizado, pois em geral, cultivares com maior produtividade exigem uma quantidade maior de podas e manejos. O mais importante é escolher cultivares que sejam resistentes aos dois principais problemas do cafeeiro, a ferrugem e os nematóides. A aquisição das mudas deve ser realizada em viveiros certificados para garantir a sanidade das plantas.

População de plantas: A recomendação para todas as cultivares é uma média de 5.000 até 10.000 plantas por hectare O espaçamento ideal é de cerca de 2 m até 3,6 m. na entrelinha e 0,5 m até 1m na linha.

Pragas e doenças: Os insetos praga chave do cultivo são: a broca-do-café (Hypothenemus hampei), que causa danos direto ao fruto, principalmente quebra, a “brocagem”, podendo chegar a queda dos mesmos, resultando em um produto de menor qualidade; e  o bicho-mineiro (Perileucoptera coffeella), que penetra na folha para se alimentar, e provoca queda das mesmas e redução da capacidade fotossintética, que prejudica a produção de fotoassimilados e a formação e maturação dos frutos. Outras pragas que também causam danos e são consideradas secundárias são o ácaro-vermelho (Oligonychus ilicis), as cigarrinhas e os nematóides. As principais doenças são a ferrugem do cafeeiro e a cercosporiose que causam perdas relevantes no cultivo. Nestes casos, é fundamental ter conhecimento da ocorrência destas pragas no cultivo, realizar o monitoramento constante a fim de realizar o melhor manejo para controle.

Imagens dos danos causados pela Broca do Café
Imagens: Agro Link

Colheita: A colheita é uma das fases mais importantes da produção. É neste momento que é realizada a separação dos frutos maduros e verdes. Existem no mercado maquinários especializados na colheita do café. É importante ficar atento a regulação das máquinas que, quando bem ajustadas diminuem a quebra e garantem uma colheita de melhor qualidade.



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