Cuidados fundamentais nos viveiros de cana-de-açúcar

O viveiro de produção de cana-de-açúcar se destina a produção e fornecimento de gemas e mudas para a implantação do cultivo. A procedência do material produzido, sua sanidade, qualidade agronômica e fitossanitária é um ponto chave para determinar como os novos canaviais serão formados e qual seu índice de produtividade. Conhecer os cuidados na manutenção de um viveiro permite que o produtor produza mudas de qualidade, com identidade genética comprovada, garantia de qualidade fitossanitária e alto vigor vegetativo. Por isso, separamos abaixo os principais cuidados que os viveiros de produção de cana-de-açúcar devem apresentar em suas produções.

Área de produção

Os viveiros devem ser implantados em locais onde exista disponibilidade de água, que não tenha histórico de incidência de pragas e doenças para evitar contaminação e perda de produção, além de garantir a sanidade das mudas. A unidade produtiva deve estar preferencialmente situada no local onde serão realizadas as vendas comerciais, pois reduz custos com transporte e mão de obra. Além disso, é possível produzir as mudas dentro da fazenda, em área separada e destinada somente para o desenvolvimento das mesmas. Essa prática permite que o agricultor tenha autonomia no desenvolvimento das mudas destinadas ao seu canavial. A técnica pode ser utilizada por pequenos, médios e grande produtores, salientando a importância de calcular o custo benefício da produção interna e sempre mantendo os manejos fitossanitários.

O viveiro deve ser planejado com antecedência de 3 a 5 anos. Esse período é necessário para a renovação e expansão das áreas e das técnicas de multiplicação que serão utilizadas ao longo do processo de desenvolvimento. Um fator muito importante a ser considerado antes da implantação é estimar a demanda de matéria prima a ser fornecida à unidade industrial ou associação/cooperativa, pois se relaciona com a capacidade de produção da unidade e o quanto poderá atender o mercado.

Tipos de viveiros

Os viveiros de produção de cana-de-açúcar podem ser divididos em três estágios:

Viveiros básicos: também conhecidos como pré-primários, são formados a partir das gemas provenientes do tratamento térmico;

Viveiros primários: são originários dos viveiros básicos e da soca do viveiro básico;

Viveiros secundários: são originados da soca do viveiro básico e da planta de cana do primário, seu tamanho é de 10 a 15 vezes superior do que a área dos viveiros básicos e primários.

Técnicas de multiplicação

Existem no mercado técnicas já bastante consolidadas de multiplicação de mudas em viveiros. Este processo pode ocorrer através do uso de mudas de meristema, mudas pré-brotadas, colmos ou toletes. No método de meristema, o explante inicial que será propagado é o meristema apical, que depois de isolado e inoculado se desenvolve dando origem às plântulas que serão multiplicadas, enraizadas e aclimatadas. Já o método de multiplicação por mudas pré-brotadas, que foi recentemente desenvolvido, a multiplicação ocorre através do  corte e tratamento de minirrebolos, aumentando a eficiência de produção em até 15% quando comparado com outros métodos de multiplicação.

Também é possível fazer uso da técnica da meiose, também conhecida como intercalar ou rotacional, que visa a rápida reprodução das mudas para plantio, associando o cultivo intercalar de outras culturas de interesse econômico. É muito importante salientar que para garantir a qualidade e boas práticas durante a propagação o material inicial deve ter identidade e garantia genética, alto vigor vegetativo e qualidade fitossanitária. No entanto, além da escolha do método de multiplicação, a adoção das boas práticas agronômicas como adubação nitrogenada, utilização de matéria orgânica, capina e irrigação são operações necessárias para um rápido desenvolvimento do material.

Escolha das Variedades

A escolha da variedade produtiva vai influenciar em todo o manejo, pois cada uma apresenta uma característica de adaptação edafoclimática. Segundo o Censo Varietal do IAC, para a região nordeste as variedades mais utilizadas são a CTC9003, a RB867515 e a CTC4. Na região sudeste as variedades mais utilizadas são RB867515, a RB937570 e a RB92579. Já na região centro-oeste no estado de Goiás as variedades mais utilizadas são a RB867515 e a CTC4, já no Mato Grosso são a RB867515 e a SP83-5073.

Técnica de roguing

É uma prática adotada pelos viveiros que visa eliminar as plantas que apresentem sinais da presença de patógenos, a fim de garantir a sanidade das mudas. Nesta técnica são eliminadas plantas que apresentem doenças como mosaico, carvão, raquitismo da soqueira, ferrugem dentre outros; além de mudas que apresentem insetos praga. Além disso, é uma importante prática de monitoramento da presença de anomalias (viveiros de meristemas) nos viveiros, que precisa ser observado e controlado para evitar perdas na produção.

Para realizar este manejo deve-se caminhar no viveiro linha por linha, observando todas as plantas e procurando aquelas que apresentam sintomas das doenças, pragas ou anomalias. Quando detectada a presença de alguma destas, as plantas doentes devem ser eliminadas e retiradas para fora do viveiro e quantificadas. É importante que quando for registrada alguma doença, toda a touceira seja eliminada. A eliminação pode ser manual ou química, dependendo do tipo de manejo e condução adotado pelo produtor.

Tratamento térmico das mudas

O tratamento térmico é um método utilizado nos viveiros a fim de reduzir a contaminação das gemas por raquitismo-da-soqueira. Atualmente já existem variedades resistentes às principais doenças, no entanto o uso da técnica ainda é recomendado. O manejo é bastante acessível, pode ser feito em mini toletes ou em gemas isoladas, e consiste em submeter os colmos a uma temperatura de 50,5 ºC por duas horas. É fundamental que mesmo após o tratamento as mudas que estão em formação sejam monitoradas, para evitar qualquer incidência da doença.

Sistema de mudas pré-brotadas (MPB)

Este sistema de produção utiliza uma técnica rápida de multiplicação de mudas, pois se originam a partir de gemas previamente individualizadas da cana-de-açúcar. No lugar da multiplicação usando colmos como sementes, são utilizadas mudas que são produzidas por uma técnica específica de corte, o minirrolo. Os cortes são feitos na gema, e as mudas após passarem por uma inspeção visual recebem tratamento com fungicida, e passam para a caixa de brotação com temperatura e umidade controladas. Todo o ciclo de produção dura 60 dias e permite uma alta taxa de multiplicação.

Por exemplo, no plantio convencional, um hectare de cana demanda de 18 a 20 toneladas de colmos. Já no sistema de mudas pré-brotadas o consumo cai para duas toneladas. Além dessa vantagem,  o adoção deste sistema dentro das fazendas evita a importação de pragas no viveiro comercial e o produtor garante que todos os manejos fitossanitários foram realizados.


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