Cuidados essenciais no manejo de cobertura de solo e no plantio direto

Manter a cobertura de solo no período de entressafra é a melhor forma para o produtor garantir a produtividade da lavoura de soja. A agricultura caminha para intensa maximização de uso do solo, de insumos e de tecnologia, visando ao aumento de produtividade e consequentemente, da rentabilidade, sob condições sustentáveis de trabalho.

O método plantio direto que vem sendo adotado pelos produtores brasileiros desde os anos 70, representou a solução de antigos problemas de erosão dos solos e sua consequente degradação, resultando em baixa produtividade no campo e pobreza.

No entanto, algumas medidas devem ser tomadas conjuntamente visando o sucesso da adoção do sistema de plantio direto, seja ele de soja ou de algodão:

  • Antes da implantação, eliminar camadas adensadas de solo, através da subsolagem e escarificação ou do plantio de nabo forrageiro.
  • Promover o nivelamento do terreno;
  • Corrigir da acidez e neutralizar o alumínio tóxico do solo, antes da implantação;
  • Elevar os níveis de fertilidade para a faixa de média a alta;
  • Controlar plantas daninhas (eliminação de plantas daninhas perenes) e destruir soqueira do algodoeiro e tigueras por meio de processos químicos (herbicidas), mecânicos (roçadeiras ou outros implementos que não revolvam o solo)

Para que o sistema de plantio direto seja de fato o diferencial da lavoura agregando produtividade e proteção do solo, deve-se atentar para a palhada como cobertura do solo no período de entressafra.

Por que investir na formação de palhada para o plantio direto?

O solo é a base para toda produção agrícola e é também o maior patrimônio do produtor. Alguns pesquisadores afirmam que se pode ter uma "poupança no solo", isto é, os solos possuem capacidade variável de retenção de nutrientes (variando conforme a CTC e o teor de argilas), portanto, à medida que se constrói a fertilidade do solo, pode-se ter reservas de nutrientes que irão impactar positivamente futuras produções. Por isso, é fundamental investir na construção de ambientes produtivos e sustentáveis, ou seja, na fertilidade do solo, que no conceito atual é proporcionada pela fertilidade química, física e biológica.

A rotação de culturas aliada ao plantio de plantas de cobertura são fatores fundamentais na formação abundante da palhada, a qual favorece a proteção do solo e conservação da umidade. Além disso, esses processos possibilitam a ciclagem de nutrientes, isto é, a absorção de nutrientes distintos, em diferentes profundidades e a sua liberação na superfície do solo através da decomposição da palhada. Plantas de cobertura também podem ser usadas como estratégia de manejo e controle de plantas daninhas, nematóides, doenças e pragas, por exemplo, braquiárias que são excelentes no manejo do mofo branco. A palhada também protege o solo da ação direta das gotas de água das chuvas, evitando a erosão e a ação direta dos raios solares consequentemente minimizando a perda de umidade do solo.

É importante salientar que a tomada de decisão em relação a qual planta de cobertura deve ser cultivada deve ser precedida de um estudo a respeito da espécie pretendida, para que se evite frustrações, por exemplo, a Crotalaria spectabilis quando cultivada fora do seu período recomendado, o fotoperíodo influencia negativamente seu crescimento vegetativo, assim sendo o período de frutificação iniciará quando as plantas ainda estão com altura reduzida, diminuindo a produção de matéria seca e aumentando as condições favoráveis à incidência de mofo-branco.

Para quem produz algodão, deve-se ter um cuidado especial em relação ao nabo forrageiro, pois este interfere de forma negativa na germinação de sementes do algodoeiro. Para evitar este problema, o ideal é cultivar uma outra espécie sobre a palha do nabo forrageiro antes da semeadura do algodoeiro, que pode ser o milheto.

Ao longo do tempo diversas pesquisas têm demonstrado que gramíneas (poaceae) são mais interessantes em relação a leguminosas (fabaceae) ao cultivo como plantas de cobertura, por exemplo, milheto, braquiárias e capim pé-de-galinha tem se mostrado interessantes alternativas para acúmulo de matéria seca e acúmulo de nutrientes remanescentes na biomassa. Por isso, é que o produtor deve quando possível, substituir parte da área de milho safrinha por aveia ou pastagem, além de diminuir a compactação do solo pelo excesso de trânsito de máquinas num período normalmente mais chuvoso.

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