Bicudo: Como garantir a rentabilidade

O bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) tem sido o maior problema fitossanitário da cotonicultura brasileira, desde sua introdução em 1983.  No Brasil, esse inseto encontrou condições ambientais favoráveis e rapidamente expandiu sua população para todas as regiões produtoras. Na década seguinte, dizimou lavouras no estado de São Paulo, Paraná e na região Nordeste, levando muitos produtores a desistirem da cultura.

A partir daí, o manejo da cultura foi alterado de maneira significativa para garantir a viabilidade da cotonicultura no país, após a introdução do bicudo. E podemos dizer que deu certo. Dispondo de tecnologia de ponta, capital, gestão empresarial e, principalmente, organização por meio de associações e de instituições de pesquisa e extensão, o setor continuar crescendo e alcançando resultados positivos.

Nos últimos anos, o Brasil tem ocupado posição de destaque em relação à produção e comercialização da pluma de algodão. É o quarto maior produtor e, na safra 2018/19, assumiu o posto de segundo maior exportador, atrás apenas dos EUA. Na atual safra, 1.413,1 mil hectares foram destinados à cotonicultura e a estimativa é de colhermos 6,1 milhões de toneladas de algodão em caroço, o que correspondendo a 2,5 milhões de toneladas de pluma. A semeadura do algodão está finalizada e, a depender do clima, as lavouras seguem apresentando bom desenvolvimento com a maioria delas já em fase reprodutiva.

Contudo, para garantir boa produtividade e rentabilidade, a partir do surgimento dos primeiros botões florais a atenção do produtor deve ser redobrada para a presença da principal praga da cultura, o bicudo.

Esses besouros colonizam as lavouras próximo a emissão dos primeiros botões florais, sua estrutura preferida para alimentação e oviposição. A fêmea deposita um ovo no interior do botão e em seguida cobre o orifício com uma substância cerosa “rolha do bicudo”. O que contribui para elevada sobrevivência das fases imaturas, uma vez que ovos e larvas se desenvolvem protegidos do ataque de inimigos naturais, de condições ambientais adversas e da ação dos inseticidas.

É por esse motivo que apenas os insetos adultos são alvo do controle químico. Essa é a única fase em que os insetos ficam expostos na lavoura. Mesmo assim, seu controle é difícil e oneroso. Segundo levantamento sobre o impacto do complexo de pragas e seu controle para a produção de algodão no Brasil, no período apurado o número de pulverizações para o bicudo variou de 17 a 23 por safra (Figura 1).

Figura 1. Número médio de aplicações de inseticidas para o controle de pragas no algodoeiro. Fonte: Belot et al., 2016.

Um outro estudo sobre o impacto econômico do bicudo nas diferentes regiões produtoras foi realizado entre as safras 2013/14 e 2016/17. Somando os gastos com controle e as perdas ocasionadas pelo bicudo, em média os custos ultrapassam 200 dólares por hectare (Figura 2).

Figura 2. Prejuízo ocasionado pelo ataque e gastos como o controle do bicudo no Brasil. Fonte: EMBRAPA.

O número de pulverizações varia em função da pressão populacional da praga na safra em curso. Essa pressão é reflexo do manejo realizado no final da safra anterior e, principalmente, entressafra. Uma vez que a população remanescente no final do cultivo e que conseguiu sobreviver ao período de entressafra, irá colonizar as lavouras da safra seguinte.

A alta competitividade do mercado do algodão exige a prática de uma cotonicultura com custos cada vez mais controlados. Mas para reduzir estes índices e elevar a rentabilidade da cultura é necessário a aplicação rigorosa de um conjunto de medidas de manejo com base no monitoramento, destruição de restos culturais, eliminação de plantas tigueras e uso de armadilhas na entressafra, adotadas regionalmente por parte dos produtores.

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