8 práticas para o manejo de cigarrinha e enfezamentos no milho

A cigarrinha-do-milho Dalbulus maidis, ocorre de forma generalizada na cultura
do milho em todo o território nacional. Esse inseto-praga tem importância
relativamente pequena se considerarmos seu dano direto pela sucção da seiva
em plantas de milho.

No entanto, a cigarrinha é o único inseto-vetor de espiroplasma e fitoplasma,
microrganismos da classe dos molicutes, que causam o enfezamento-pálido e
o enfezamento-vermelho, respectivamente.

O processo de transmissão ocorre quando o inseto ao se alimentar de uma
planta doente, adquiri espiroplasma, fitoplasma ou ambos simultaneamente.
Durante um período de três a quatro semanas, esses molicutes se multiplicam
nos tecidos do inseto, atingem suas glândulas salivares tornando a cigarrinha
infectante. Essa cigarrinha ao se alimentar de uma planta sadia inocula o
patógeno, iniciando um novo ciclo da doença.

Esses patógenos, após serem inoculados, circulam e se multiplicam nos vasos
condutores da planta de milho, afetam sua nutrição e causam desordens
fisiológicas, com consequente redução na produção.

A infecção de plantas normalmente ocorre nos estágios iniciais de desenvolvimento da cultura, apesar disso os sintomas da doença geralmente
se manifestam na fase reprodutiva, após o florescimento do milho (Fig. 1).

Já o inseto-vetor, pode ser encontrado em plantas adultas, mas demonstra
clara preferência por plantas jovens (Fig. 1). Adultos e ninfas da cigarrinha são
facilmente encontrados, em números variáveis, no cartucho de plântulas de
milho.

(Figura 1. Período de ocorrência de Dalbulus maidis e enfezamentos durante o desenvolvimento do milho)

A infecção da planta por molicutes pode ser confirmada por meio de análises de DNA. Contudo, considerando os custos e tempo necessários para obtenção dos resultados, esse método tem sido utilizado com uma ferramenta auxiliar nos diagnósticos de enfezamentos realizados em campo com base nos sintomas das plantas.

Os primeiros sintomas de enfezamento aparecem principalmente na parte superior da planta, com a descoloração das margens das folhas, seguido de avermelhamento ou amarelecimento e secamento prematuro (Fig. 2).

Adicionalmente, plantas doentes podem apresentar redução na altura, devido ao encurtamento dos internódios, espigas menores, grãos chochos e em menor número, proliferação de brotos nas axilas das folhas, proliferação de espigas e perfilhamento das plantas.

(Figura SEQ Figura \* ARABIC 2. Enfezamento-vermelho; Enfezamento-pálido; Proliferação de espigas; Espigas com danos por enfezamento. Fotos: Embrapa Milho e Sorgo.)

Mas distinguir com certeza entre plantas com enfezamento-pálido e com enfezamento-vermelho, nem sempre é uma tarefa fácil, pois os sintomas são similares e podem ser influenciados por três fatores:

  • Suscetibilidade da cultivar de milho;
  • Época de infecção das plantas, quanto mais cedo a planta for infectada, mais severos serão os sintomas;
  • Condições ambientais, os molicutes se multiplicam mais rápido na planta sob temperaturas elevadas (noturnas >17°C, diurnas >27°C).

Além do grau de dano na planta, o prejuízo na produção causado por enfezamento, depende da porcentagem de plantas infectadas no estande.

É recomendado aos produtores, realizar sistematicamente o monitoramento de doenças e de pragas, e estimar a porcentagem de plantas com enfezamento e a incidência da cigarrinha em cada talhão ao longo do cultivo do milho.


Diferente dos enfezamentos, a cigarrinha D. maidis é de fácil reconhecimento no campo. Os insetos dessa espécie são pequenos, possuem cerca de 4 mm de comprimento, coloração amarelo-palha e duas pintas negras entre os olhos.

As fêmeas realizam postura dentro do tecido vegetal, na nervura central das folhas, sendo possível a visualização dos ovos quando as folhas são examinadas contra a luz do sol.

(Figura SEQ Figura \* ARABIC 3. Representação do ciclo biológico de Dalbulus maidis. Fotos: Embrapa Milho e Sorgo)

A proliferação da cigarrinha é favorecida sob condições de temperaturas elevadas, condições que predominam na maior parte do território nacional onde o milho é cultivado.

Maior densidade populacional desse inseto, também tem sido associada às áreas de milho irrigado. O que parece explicar a preferência da cigarrinha por habitar o cartucho do milho, que devido ao acúmulo de água, proporciona maior umidade em relação às folhas abertas das plantas adultas.

Outro aspecto importante, é que D. maidis não apresenta capacidade de entrar em dormência. Sendo assim, depende exclusivamente de plantas de milho no campo, seu único hospedeiro, para se alimentar e se reproduzir.

Nesse contexto, a proliferação de plantas de milho voluntárias, resultantes de grãos perdidos na colheita e no transporte, denominado milho tiguera, tem se tornado uma grande preocupação.

Plantas de milho tiguera favorecem a manutenção das populações de cigarrinha durante a entre safra do milho. Além disso, serve como fonte de inóculo de molicutes para infecção de novas lavouras.

Pois as fêmeas de cigarrinha infectadas, não transmitem os patógenos para a prole. As futuras gerações da praga só se tornam infectantes após se alimentarem de plantas doentes.


Autora:

Patricia Lima Soares Eng. Agrônoma/Entomologista

Foto da capa: Fabiano Bastos

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