5 motivos para realizar monitoramento de pragas no feijão

O Brasil se destaca no cenário mundial como o principal produtor de feijão do mundo (CONAB, 2019). O grão apresenta elevada importância no mercado consumidor do Brasil, sendo consumido diariamente por milhões de pessoas. Cada vez mais, os produtores buscam técnicas para aumentar a produtividade do cultivo, além de melhorar e otimizar os manejos no campo. Neste aspecto, o monitoramento de pragas é uma das ferramentas mais importantes, pois  visa a melhoria da sanidade, qualidade e produtividade do cultivo. Por isso, vamos pontuar 5 motivos que mostram a importância do monitoramento de pragas no cultivo de feijão.

1. Conhecer a ocorrência de diferentes espécies

Um dos principais benefícios do monitoramento de pragas no cultivo de feijão é poder conhecer as espécies praga que atingem a lavoura. Este conhecimento também permite saber qual o momento de ocorrência de cada uma, e de acordo com o estágio fisiológico do cultivo, escolher o melhor manejo a ser adotado.

Abaixo listamos as principais pragas.

Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus) – abrem galerias na região do caule de plantas recém-brotadas, causando secamento e morte. É considerada praga de solo e seus danos ocorrem no início do cultivo.

Foto: Antonio R. Panizzi

Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon) – se desenvolve junto a base da planta e fica enterrada a poucos centímetros do solo, corta as plântulas do feijão no início do plantio, reduzindo a produtividade da lavoura. Ocorre no período vegetativo.

Foto: Heraldo Negri de Oliveira

Larva-alfinete (Chrysomelidae) – Se alimenta diretamente das raízes e por isso interfere na absorção dos nutrientes. Considerada praga de solo e ocorre no período vegetativo.

Fonte: https://ipmworld.umn.edu/seed-root-stem

Cigarrinha-verde (Empoasca kraemeri) – suga a seiva das plantas e injeta toxinas ocasionando o enfezamento das plantas. Pode causar abortamento de flores e por isso seu monitoramento deve ser realizado com maior atenção na época do florescimento.

Foto: Paulo Henrique Soares da Silva.

Mosca-branca (Bemisia tabaci) – Seu dano direto está relacionado a sucção da seiva que favorece o desenvolvimento da fumagina. No entanto o dano indireto é o mais importante, por a espécie é transmissora do vírus do mosaico dourado do feijoeiro. Ocorre no vegetativo e início do reprodutivo.

Foto: ARAÚJO, Sebastião José de

Vaquinha (Diabrotica speciosa) – Se alimentam diretamente da parte vegetativa e por isso, reduzem a área foliar e consequentemente a produção de fotoassimilados. As larvas se alimentam diretamente das raízes. Ocorre durante todo o período vegetativo.

Foto: Heraldo Negri de Oliveira

Complexo Spodoptera – Compreende as espécies Spodoptera eridanea (imagem 1), S. cosmiodes (imagem 2), S. latifascia, S. frugiperda (imagem 3), seus danos ocorrem diretamente nas vagens e folhas e podem provocar desfolha intensa.

Trips – As espécies de maior ocorrência são Thrips palmi (imagem 1), Caliothrips brasiliensis (imagem 3), Thrips tabaci (imagem 2). Os danos ocorrem na alimentação direta das ninfas e adultos nas folhas e flores. Um dano bastante importante é a queda prematura dos botões florais e vagens devido ao seu ataque.

Imagem 3: a) Caliothrips brasiliensis adulto, b) ninfa e c) sintomas de raspagem nas folhas.

Ácaros – São duas espécies principais o ácaro branco (Poluphagotarsonemus latus) e o ácaro rajado (Tetranychus urticae). Atacam diretamente as folhas que ficam lesionadas e reduz drasticamente sua capacidade de realizar fotossíntese. Em casos mais severos, as folhas morrem prematuramente.

Fonte - Imagem 1: Agrolink Imagem 2: Giller San Martin / Flickr

Percevejos – Ocorrem na fase reprodutiva e causam danos diretos as vagens e aos grãos devidos sua alimentação. Além disso, as perfurações nas vagens favorecem a entrada de fitopatódenos e deprecia o produto pela presença de resquícios de alimentação e excrementos dos insetos, além da presença de grãos danificados. As espécies mais importantes no cultivo são Nezara viridula (imagem 1 - percevejo verde ), Euschistos heros (imagem 2 - percevejo marrom abaixo), Neomegalotomus parvus (imagem 2) e Piezodorus guildini (imagem 3).

Fontes: Imagem 1 (própria), Imagem 2 e 3: By: PEREIRA, Paulo Roberto Valle da Silva

2. Redução de doenças

Monitorar as pragas do feijoeiro com precisão permite também reduzir a incidência de doenças. Isso ocorre pois, algumas das principais doenças relacionadas ao cultivo são transmitidas por alguns insetos praga. A mosca-branca é vetor do vírus-do-mosaico-dourado do feijoeiro (VMDF) uma das principais doenças associadas ao cultivo que causa perda severa na produtividade. Já o ataque de percevejo permite transmissão da mancha da levedura, provocada pelo fungo Nematospora corylli, que prejudica diretamente a qualidade das sementes depreciando o valor do produto no mercado.

3. Escolha do manejo mais adequado

Monitorar as pragas permite a escolha do manejo mais adequado para cada tipo de infestação. E tudo se inicia na amostragem das espécies que devem ser realizadas semanalmente. O método de monitoramento mais utilizado é o pano de batida junto com avaliação visual. Métodos menos utilizados, mas que também podem ser explorados é o uso de armadilhas de feromônio e armadilhas luminosas. No entanto, é importante o produtor perceba qual o método de monitoramento mais adequado para sua realidade. O mais importante é registrar todos os dados da coleta, observar os níveis de dano e de controle, para que se tome a melhor decisão. Conhecendo a incidência das pragas a escolha do controle seja químico, biológico, conservativo ou cultural se torna mais assertivo e traz informações para uma melhor tomada de decisão.

4. Aumento da produtividade

Quando se conhece as pragas e realiza o controle adequado, as plantas sofrem menos com danos associados ao ataque e apresentam maior sanidade. O monitoramento de pragas e o uso do controle mais adequado para cada caso, aumentam a produtividade do cultivo do feijão por favorecem o desenvolvimento saudável das plantas. É importante salientar que o monitoramento não substitui os manejos de solo, fitossanitários e da colheita, mas associados e realizados corretamente diminuem a possibilidade de perdas durante toda a safra. Monitorar as pragas, também permite que o uso de defensivos seja pontual, reduzindo custos de aplicações desnecessárias e auxiliando na manutenção dos inimigos naturais.

5. Melhora na qualidade do produto

Monitorando corretamente, aplicando o controle correto e no momento certo, a consequência é um feijão com maior sanidade e segurança alimentar. Os registros do monitoramento permitem inclusive realizar um histórico da incidência de pragas na propriedade, permitindo que o produtor tenha alto conhecimento do que ocorre em sua produção. Uso racional de produtos, manejo adequado, redução do número de pragas, redução de fitopatógenos no campo permite a produção de um grão de alta qualidade com consequente melhor preço de mercado. Monitorar as pragas é sinônimo de produzir mais e melhor.


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