Redução do espaçamento entre linhas na cultura da soja

Durante as décadas de 1980 e 1990, houve no Brasil várias pesquisas com diferentes arranjos espaciais de plantas de soja, envolvendo combinações de espaçamentos entre linhas de densidades de plantas. Contudo nos últimos anos poucos trabalhos nessa área foram desenvolvidos, diante desse fato podemos justificar a necessidade de desenvolvimento de novos trabalhos sobre arranjos espaciais de plantas de soja por esses três motivos:

1 – mudança nas características morfofisiológicas das cultivares de soja e das práticas de manejo;

2 – aumento da expectativa de produtividade de grãos; e

3 – semeadura antecipada da soja para possibilitar o cultivo de milho ou algodão na segunda safra e/ou reduzir a incidência de doenças e pragas no final do ciclo da cultura, o que acarreta em mudanças no ambiente de produção da soja.

As alterações mais marcantes nas novas cultivares são: menor duração do ciclo de desenvolvimento; mudança do tipo de crescimento determinado para indeterminado; menor ramificação, de modo que a haste principal é responsável por grande parte da produção da lavoura; menor tamanho dos folíolos; e maior inclinação dos folíolos e dos ramos em relação ao solo (estruturas vegetativas mais verticalizadas).

A partir dessas características, a área ocupada por cada planta é menor em comparação com as cultivares que apresentavam grande ramificação e folíolos maiores e mais horizontais. Nesse contexto, há questionamentos sobre os efeitos da redução do espaçamento de 0,45 a 0,50 m para 0,20 a 0,30 m, associada ou não ao incremento na densidade de plantas, sobre a utilização de água, luz e nutrientes pela comunidade de plantas na lavoura e, consequentemente, sobre a produtividade de grãos.

O espaçamento entre as fileiras de soja afeta as relações de competição intraespecífica e a quantidade de recursos do ambiente disponíveis para cada indivíduo, podendo influenciar a produtividade de grãos (RAMBO et al., 2004; BRUIN & PEDERSEN, 2008; COX et al., 2010; WALKER et al., 2010). Além disso, pode afetar a velocidade de fechamento das entrelinhas (HEIFFIG et al., 2006; SILVA et al., 2013), a produção de fitomassa (COX & CHERNEY, 2011), a ramificação das plantas (PIRES et al., 1998), a severidade de doenças (LIMA et al., 2012) e o acamamento (BALBINOT JR., 2011).

Vários trabalhos têm demonstrado a baixa resposta da cultura da soja às variações de densidade de plantas (HEIFFIG et al., 2006; PROCÓPIO et al., 2013). Essas constatações podem ser explicadas pela alta plasticidade fenotípica dessa espécie, definida como a capacidade da planta em alterar sua morfologia e componentes de rendimento frente às mudanças no arranjo espacial dos indivíduos (RAMBO et al., 2004). Desse modo, a soja possui alta habilidade em compensar menores densidades de plantas, principalmente formando maior número de legumes por indivíduo (HEIFFIG et al., 2006; PROCÓPIO et al., 2013).

Em relação ao efeito do espaçamento entre as fileiras, há resultados discrepantes na literatura (RAMBO et al., 2003; HEIFFIG et al., 2006), o que é previsível, considerando que essa resposta é dependente das cultivares e do ambiente de cultivo. Ou seja, é necessário atualizar os estudos com diferentes espaçamentos entre fileiras e densidades de plantas utilizando cultivares e práticas de manejo atualmente preconizadas pela pesquisa.

Para ter acesso a pesquisa completa disponível na Circular Técnica 106 da Embrapa, clique aqui.

Fonte: Redução do espaçamento entre linhas na cultura da soja, Circular Técnica 106, Embrapa, 2014, dos autores Alvadi Antonio Balbinot Junior, Sergio de Oliveira Procópio, Henrique Debiasi e Julio Cezar Franchini.

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