Pulverização Aérea

As aplicações de defensivos agrícolas, independente do tipo, devem ser motivo de especial atenção, quer pelos aplicadores, quer pelos usuários desta aplicação. Quando nos referimos à aplicação aérea, alguns cuidados devem também ser destacados para que tenhamos respostas positivas da ação dos produtos químicos ou biológicos e, com isso, possamos nos beneficiar de todas as suas características fitossanitárias.

Diferente das aplicações terrestres, onde geralmente a barra está muito próxima da copa da planta, nas aplicações aéreas*não se deve voar extremante baixo* (rodas tocando a plantação), pois além de provocar uma dispersão irregular, as faixas de deposição ficarão desuniformes, ocasionando distribuição inadequada com uma tendência maior de concentração do produto em uma das “asas” da aeronave (asa esquerda) devido ao deslocando de ar provocado pela rotação da hélice. Apesar de haver uma movimentação das plantas pelo deslocamento do ar em voos muito baixos sobre a copa das plantas, os efeitos aerodinâmicos favoráveis à boa distribuição ficarão comprometidos.

Outro aspecto a considerar é com relação à presença de umidade ocasionada pelo orvalho. Aplicar ou não aplicar com orvalho é uma dúvida bastante frequente. A presença do orvalho poderá ser benéfica à redistribuição do produto na superfície da planta, entretanto, o seu excesso poderá ocasionar escorrimentos principalmente se na calda (produto e diluente – mais comum a água) não tiver sido acrescido algum aditivo adesivante, como um espalhante adesivo.

Em boa parte das bulas de defensivos agrícolas, existem recomendações para que as aplicações sejam realizadas com* temperaturas inferiores a 30ºC ou 32ºC* e com ventos inferiores a 10km/h. Para estes parâmetros, as condições de temperatura devem estar associadas diretamente à natureza evaporante ou não do produto, ao tamanho das partículas geradas no momento da pulverização e ao direcionamento do vento, a fim de se evitar problemas de deriva. Entretanto, os fatores meteorológicos não devem ser analisados isoladamente e sim em razão do conjunto.

Um equipamento de aplicação é considerado calibrado quando a variação de vazão entre o desejado obtido em cálculos teóricos e o encontrado em condições de campo apresentar uma variação nominal de volume de 5% aos aqueles obtidos na “teoria”. Estes valores sempre que possível devem ser minimizados para melhor aproveitamento da calda aplicada.

Pontas de pulverização desgastadas, além de alterar o volume aplicado, poderão comprometer a qualidade das gotas geradas, alterando o espectro de gotas desejado, resultando em deficiência nos padrões de gotas desejados.

O aumento de pressão acima de 25% para uma determinada situação de trabalho promove alteração do tamanho das gotas geradas e o aumento de pressão faz com que tenhamos maior vazão. Pequenos ajustes são permitidos para acerto das vazões desejadas. Mas para grandes alterações que visem a obtenção de um maior ou menor volume, o indicado é que seja realizada a mudança da ponta para a vazão necessária.

São aspectos importantíssimos na preservação de todo o conjunto e segurança para uma aplicação correta e segura, ações como manutenção dos equipamentos de aplicação, para observar detalhes de desgaste das pontas, verificar com atenção possíveis vazamentos, danos físicos ao equipamento e realizar a limpeza periódica, descontaminação do tanque, de barras e filtros.

Quando nos referimos à escolha das pontas apropriadas e a serem utilizadas para uma aplicação, verificamos que atualmente existe uma gama muito grande de opções de pontas produzidas pelos mais diferentes fabricantes. São pontas com excelente qualidade de fabricação e que atendem às necessidades desejadas de volume e tamanho de gotas, com materiais metálicos ou sintéticos. A escolha de qualquer ponta ou método de aplicação deverá sempre levar em consideração os fatores não apenas de volume, mas observando o tipo de gota desejado, o espectro de gotas produzido por aquele equipamento ou ponta e a natureza do produto aplicado.

A adoção de produtos que promovam a alteração da viscosidade e do tamanho de gotas tem sido uma opção adequada quando é necessário realizar um gerenciamento dos fatores externos ao processo de pulverização. Isto dá maior dinâmica operacional para solução de situações adversas, tais como a adição de produtos para minimização de deriva em condições de risco ou visando melhoria da performance de deposição de determinados produtos.

Cuidados na adição destes produtos, suas proporções, sequência de mistura, possíveis modificações nas vazões e alteração das densidades de cobertura e aspectos físico-químicos deverão ser motivo de especial atenção.

As faixas de aplicação são outro aspecto que merece também grande atenção. Nas aplicações aéreas as diferentes passagens que irão proporcionar uma cobertura devido às sobreposições são monitoradas pelos pilotos através da orientação gerada pela barra de luzes do DGPS. Durante a passagem da aeronave, a faixa total de aplicação representa a faixa aonde há a presença de partículas (sólidas ou líquidas), independentemente da qualidade de distribuição. Para que tenhamos as coberturas apropriadas com uniformidade, o responsável técnico realiza estudos de sobreposição e identificação da distribuição e, assim, identifica e determina a faixa de aplicação efetiva operacional, que é a faixa obtida com as diferentes passagens em distâncias preestabelecidas e que irão proporcionar a melhor qualidade de deposição com as sobreposições, mantendo-se a uniformidade em toda a extensão da área aplicada.

Para isto, são determinados os valores de coeficiente de variação (CV%) entre as passagens, ou seja, na faixa de deposição efetiva operacional, muitas vezes chamada simplesmente de faixa de aplicação. Quando a faixa de aplicação total apresenta uma distribuição normal, os efeitos de vento lateral (través), vento frontal ou de cauda ficam minimizados e, com isso, aplicações realizadas, quer no sistema de orientação “carrossel”, feita com passagens no mesmo sentido, ou através do sistema “BK-BK” (vai e vem), apresentarão respostas similares de qualidade de deposição.

Portanto, a escolha da modalidade de aplicação, terrestre ou aérea, é uma opção do produtor, mas seguramente as* aplicações aéreas* têm recebido uma atenção bastante grande de seus operadores nos cuidados de proporcionar qualidade de deposição, de forma rápida e segura, através de treinamentos, reciclagens e incorporação de tecnologia avançada de monitoramento técnico.

CUIDADOS BÁSICOS NA PULVERIZAÇÃO AÉREA

As empresas de aviação agrícola, prestadoras de serviços aéreos especializados (SAE), devem ter sua documentação regularizada, com profissionais habilitados e regulamentados (Anac e Mapa) por órgãos responsáveis pela fiscalização aeronáutica e agrícola, respectivamente.

  • Os equipamentos aplicadores deverão estar em condições operacionais, não apresentando quaisquer vazamentos de produto e/ou sinais de desgaste acentuado.
  • Os equipamentos de preparo de calda deverão estar também nas mesmas condições de qualidade e limpeza.
  • As embalagens utilizadas durante as operações deverão ser acondicionadas em ambientes apropriados, a fim de que resíduos de produtos não sejam dispersos na área de preparo de calda, ocasionando exposição de produto ao operador e ao ambiente.
  • As embalagens e as quantidades utilizadas deverão ser contabilizadas para efeito de conferência de volume aplicado e tamanho de área pulverizada.
  • Um croqui da área de aplicação deverá permanecer em posse da empresa e os mapas dos voos, gerados através dos arquivos do DGPS, deverão ser impressos e disponibilizados ao produtor.
  • Os mapas emitidos pela empresa poderão trazer valores de área voada, diferentes da área plantada em razão de arremates e variação de conformação de relevo (cantos onde não seja possível o voo de aplicação), mas não poderão ser discrepantes.
  • Deve-se tomar cuidado com embalagens não utilizadas e deixadas próximas às áreas de preparo de calda. Isto poderá levar a erros de julgamento e confundir os operadores que poderão inadvertidamente executar misturas de produtos incompatíveis com a cultura, ocasionando sérios danos de injúrias e morte de plantas.

Fonte: Grupo Cultivar

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