Primeiros relatos da ferrugem da soja aumentam a preocupação com a necessidade do manejo preventivo nessa safra.

Estamos no início do plantio da safra de 2016/17, e em algumas localidades, o plantio ainda nem começou mas já apareceram os primeiros relatos de ferrugem asiática para esta safra. De acordo com os dados do Consórcio Antiferrugem (plataforma colaborativa que envolve representantes da Embrapa e da Indústria e ainda pesquisadores), neste mês já foram relatadas 25 ocorrências de ferrugem asiática no Brasil, em 3 estados: *Paraná, São Paulo e Mato Grosso. *

Isso somado à previsão de chuvas intensas, concomitantes ao início do plantio da soja, faz com que os agricultores façam o manejo correto incluindo ações preventivas, com o fim de controlar a ferrugem asiática que pode prejudicar bastante a produtividade da soja.

De acordo com Cláudia Godoy, pesquisadora da Embrapa Soja, o relato precoce da ferrugem em plantas “guaxas” (planta que nasce espontaneamente nas lavouras ou estradas) em regiões brasileiras distintas reforça a necessidade de constante monitoramento da doença. Segundo ela, com o final do vazio sanitário e o início da semeadura da soja nas principais regiões produtoras, os agricultores precisam manejar adequadamente a ferrugem asiática da soja, a mais severa doença da cultura.

A infecção da ferrugem asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi que provoca desfolha precoce, compromete a formação, o desenvolvimento de vagens e o peso final do grão. De acordo com dados do Consórcio Antiferrugem, o custo-ferrugem (gasto com fungicidas para controle + perdas de produção) médio é de US$ 2 bilhões por safra no Brasil.

A ferrugem asiática é a doença mais desafiadora da soja, implicando riscos à produção. Ironicamente, ótimas condições de clima para o desenvolvimento da cultura da soja são também condições ideais para o estabelecimento da ferrugem asiática. Os esporos do fungo podem ser facilmente disseminados por correntes de ventos a longas distâncias, o que caracteriza uma alta capacidade de dispersão do fungo para diferentes regiões brasileiras. Em termos de potencial de dano, a ferrugem é a doença mais severa e pode causar reduções de produtividade de até 80%.

Segundo estudos da ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio), a perda de controle da ferrugem poderia acarretar perdas significativas na indústria processadora, que girariam em torno de R$ 7,0 bilhões, R$ 2 bilhões deixariam de ser arrecadados em impostos e 300 mil empregos poderiam deixar de existir. Os impactos econômicos também se estenderiam à  cadeia de insumos, máquinas, serviços, entre outros. *O uso de fungicidas é a principal ferramenta para controle da ferrugem asiática no Brasil. *

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Fonte: Mais Soja

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