Pragas do algodão: pragas desfolhadoras

CURUQUERÊ

Nome científico: Alabama argillacea

O curuquerê é tido como a principal praga desfolhadora do algodão. É encontrado em qualquer região produtora e, assim que saem dos ovos, as lagartas se alimentam do tecido interno das folhas e depois vão avançando.

A lagarta desenvolvida constrói um casulo, dobrando a folha e usando fios de seda, onde fica até se tornar adulta. Uma mariposa clara tem cerca de 30mm de envergadura e apresenta um dorso escuro com listras brancas.

Ciclo biológico: 18 dias dos ovos à fase adulta

Reprodução: 320 ovos é o que uma fêmea coloca

Partes afetadas: folhas novas do ponteiro, folhas medianas e desfolha generalizada Fase em que ocorre o ataque: da germinação à floração

Danos: o ataque da praga pode provocar perdas de até 35% da cultura. Quando o ataque é no início da germinação, provoca a maturação forçada das maçãs, afetando a qualidade e o peso do algodão. A deposição de fezes sobre as fibras também causa impacto na produção. Enquanto se desenvolve, a lagarta pode destruir uma folha antes de passar para outras folhas e plantas.

Dicas para o controle da praga: é uma praga que exige monitoramento constante da lavoura, bem como a tomada de decisão rápida para o seu controle. No Brasil, a principal estratégia de controle tem sido o uso de inseticidas que contêm os princípios ativos de abamectina, diflubenzuron, triflumuron, lufenuron, tebufenozide e teflubenzuron os quais apresentam bons resultados no controle do curuquerê-do-algodoeiro, seguindo as recomendações de dosagem e aplicação fornecidas pelo fabricante. Ao mesmo tempo, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) também se mostra eficiente.

LAGARTA FALSA MEDIDEIRA / LAGARTA MEDE PALMO

Nome científico: Pseudoplusia includens

A cada safra de algodão, parece crescer a presença da falsa medideira, já que as mariposas, graças à proximidade das lavouras de soja, têm a sua migração para o algodoeiro favorecida. As falsas medideiras chegam a 30mm de comprimento.

As mariposas adultas têm 28mm de envergadura, com asas cinza-escuras e uma mancha prateada parecida com um 8. Os machos têm um tufo de pelos marrom no abdômen.

Ciclo biológico: 25 dias dos ovos à fase adulta

Reprodução: 500 ovos é o que uma fêmea coloca

Partes afetadas: folhas

Fase em que ocorre o ataque: crescimento vegetativo, floração e frutificação

Danos: ao se alimentarem, inicialmente, as lagartas formam buracos circulares na área central das folhas. Muitas vezes, a desfolha começa pelas folhas mais velhas, no terço inferior das plantas, o que dificulta o controle, além de facilitar a entrada de bactérias e fungos nocivos. Quanto mais a população de falsas medideiras cresce, elas passam a atacar, também, os terços médio e superior das plantas, podendo, assim, provocar amplos prejuízos à plantação.

Dicas para o controle da praga: o controle desta praga deve ser feito quando a desfolha atingir 30% até o final do florescimento ou 15%, assim que aparecerem as primeiras flores. Neste caso, o mais indicado é o uso de defensivos com os ingredientes ativos: organofosforado, benzoilureia, oxadiazina, metilcarbamato de oxima, diamida, acetato, antranilamida, diacilhidrazina ou metilcarbamato de benzofuranila. A pulverização precisa é embasada por um trabalho eficiente de monitoramento.

LAGARTA-DO-CARTUCHO

Nome científico: Spodoptera frugiperda

A lagarta-do-cartucho é considerada uma das principais pragas da cultura do algodão. Os danos resultantes da ação desta praga se intensificaram nos últimos anos devido à resistência aos inseticidas e ao uso indiscriminado desses produtos, que eliminam os predadores naturais. Outra causa do insucesso na eliminação da praga é o início tardio do combate, pois a planta já se encontra em estágio de crescimento avançado.

A lagarta está presente em todas as regiões produtoras, podendo atacar, também, plantações de soja e arroz. As perdas causadas pela lagarta-do-cartucho resultam em até 60% da produção, com prejuízos econômicos anuais estimados de US$ 400 milhões.

Os ovos têm coloração verde-clara, tornando-se alaranjados com o tempo. As larvas, inicialmente, são claras, passando para pardo-escuro a esverdeadas até quase pretas. O formato de Y na região frontal de cabeça é característico da praga.

Ciclo biológico: os ovos duram de dois a três dias. A fêmea pode pôr de 100 a 200 ovos por vez, em camadas sobrepostas. Durante a vida, uma única fêmea pode colocar de 1,5 mil a 2 mil ovos.

Já a mudança para larva ocorre em um período de 12 a 30 dias, dependendo da temperatura. As larvas iniciam a sua alimentação pela casca dos ovos, passando, para as folhas novas das plantas. Nesta fase, a larva pode atingir mais de 2,5cm de comprimento. Geralmente, encontram-se poucas lagartas de uma mesma idade por planta devido ao canibalismo praticado por elas.

A transformação em pupa é feita no solo, com duração de 10 a 12 dias, chegando a medir 15mm de comprimento. A partir daí, o inseto emerge do solo em sua fase adulta, com 35mm de envergadura, em média. As asas têm pontos claros na região central. A fase adulta perdura por 12 dias.

Partes afetadas: folhas, flores e frutos

Fases em que ocorre o ataque: torna-se mais grave no período de 40 a 60 dias após o plantio, sendo o período mais crítico desde o surgimento dos botões florais até o aparecimento do primeiro capulho. Danos: as larvas provocam a raspagem das folhas, podendo haver perfurações em formatos variados causadas pelas larvas mais desenvolvidas. Em situações de grande infestação, há ataques ao colmo, ocasionando, assim, a queda da planta, ou o chamado “coração morto”.

Dicas para eliminar a praga: após fazer o monitoramento preciso para ter informações como o nível de infestação e o estágio de crescimentos dos insetos, é recomendado o uso de herbicidas para eliminar qualquer planta próxima que possa abrigar a lagarta-do-cartucho. A completa retirada dos restos culturais ao término da colheita e em períodos de seca também é eficaz. Outra alternativa é a alternação de cultura com plantas que não sejam alvo da praga.

MOSCA BRANCA

Nome científico: Bemisia argentifolii

A mosca branca é sugadora de seiva e, embora seja difícil quantificar o impacto causado sobre a produção algodoeira, em algumas regiões, principalmente no Nordeste, já se registraram reduções de 30% a 80% no rendimento da produção do algodão.
As ninfas tem corpo elíptico verde-amarelado, translúcido e achatado. Já os insetos adultos apresentam cerca de 1 mm de comprimento, sendo branco com olhos vermelhos.

Ciclo biológico: 28 dias dos ovos à fase adulta

Reprodução: 110 ovos é o que uma fêmea coloca

Partes afetadas: folhas

Fase em que ocorre o ataque: do início do plantio à floração

Danos:o dano direto à plantação é causado tanto pelo inseto adulto como pelas ninfas, que ficam sob as folhas, sugando a seiva da planta. Infestações graves fazem as plantas definharem.

Além disso, a mosca branca é vetor da virose “mosaico comum”. Outro dano é a redução da capacidade de fotossíntese da planta em função da fumagina deixada pela mosca. A praga solta uma substância chamada de mela, que deixa as fibras do algodão pegajosas e também causa a queda das folhas.

Dicas para o controle da praga:o uso de algumas técnicas de manejo cultural, como respeitar período de vazio sanitário, uso de variedades resistente ou tolerantes são maneiras de controle da dispersão do inseto.
Também existem diversos inimigos naturais da praga, como percevejos, besouros e vespas. O monitoramento adequado permite, ainda, a aplicação precisa de defensivos do grupo neocotinoides ou reguladores de crescimento de insetos na lavoura para controle do inseto.

ÁCARO BRANCO

Nome científico: Polyphagotarsonemus latus

Praticamente invisível a olho nu, a fêmea adulta do ácaro branco mede 0,17mm de comprimento por 0,12mm de largura, enquanto o macho mede 0,15mm de comprimento por 0,08mm de largura. De cor branco-transparente, têm quatro pares de patas.
Podem ocorrer até 20 gerações por ano. O macho carrega a pupa da fêmea para garantir a cópula. Clima quente e tempo chuvoso favorecem a proliferação da praga.

Reprodução: 7 ovos é o que uma fêmea coloca por dia

Partes afetadas: folhas

Fase em que ocorre o ataque: da brotação à floração

Danos: as folhas dos ponteiros mostram os primeiros sintomas: uma aparência brilhante na face inferior. Em seguida as folhas apresentam ondulações, virando as margens para baixo à medida que envelhecem. Depois tornam-se espessas e, na face inferior, bronzeadas. Ataques intensos deixam as folhas esbranquiçadas, quebradiças e com rasgaduras, com danos significativos para a produção.

Dicas para o controle da praga:o controle do ácaro branco é realizado a partir de pulverizações precisas de acaricidas. Para evitar que o produto perca a sua eficiência, tornando os insetos mais resistentes à sua ação, é importante não aplicar o produto nas horas mais quentes do dia. Além disso, é indicado direcionar a aplicação para atingir o foco da infestação.

ÁCARO RAJADO

Nome científico: Tetranychus urticae

Logo após saírem dos ovos, as larvas são quase transparentes e têm seis pernas. Quando mudam para ninfa, ficam com oito pernas. As fêmeas medem em torno de 0,46mm de comprimento e 0,24mm de largura, têm formas arredondadas e achatadas e quatro pares de patas. São amareladas e têm duas manchas escuras sobre o dorso. Os machos são menores, têm pernas longas e coloração avermelhada.

Ciclo biológico: 14 dias dos ovos à fase adulta

Reprodução: 60 ovos é o que uma fêmea coloca

Partes afetadas: botões florais, maçãs e folhas

Fase em que ocorre o ataque: dos botões florais à floração

Danos: tanto os jovens quanto os adultos atacam as folhas, raspando a sua parte inferior, onde se veem lesões descoradas e fios em forma de teia emaranhados. Na parte superior das folhas atacadas, surgem manchas avermelhadas, correspondendo às áreas afetadas na face inferior.

A partir dos danos às folhas, outras partes da planta são prejudicadas e, conforme a intensidade do ataque, pode ocorrer a queda de flores, botões florais, maçãs e das próprias folhas, que secam. Maçãs do terço superior da planta se abrem precocemente, gerando flores de pouco peso e com fibras de baixa qualidade, o que acarreta prejuízo à cultura.

Dicas para o controle da praga: as aplicações de defensivos é a forma de controle mais utilizada para diminuir os danos causados por esta praga no Brasil. Para evitar que o produto perca a sua eficiência, é preciso realizar a aplicação nas horas mais frescas do dia. Evitar que os restos de outras culturas fiquem no campo também contribui para o seu controle.

Helicoverpa armigera

A Helicoverpa armigera é facilmente confundida com outras lagartas dos gênero Heliothis. Sua coloração pode se alterar de acordo com seu hábito alimentar. A Helicoverpa é uma praga polífaga, ou seja, se alimenta de várias culturas. No algodoeiro a lagarta (fase imatura) ataca todas as partes da planta. O inseto tem um ciclo de vida que permite várias gerações anuais e contínuas, particularmente em regiões mais quentes.

Desenvolvida, a larva chega a 40mm de comprimento. O adulto é uma mariposa com cerca de 40mm de envergadura, com as asas anteriores amarelo-claro, uma faixa transversal mais escura e manchas escuras sobre as asas.

Ciclo biológico: 30 dias dos ovos à fase adulta

Reprodução: 1500 ovos é o que uma fêmea coloca

Partes afetadas: frutos, folhas e hastes

Fase em que ocorre o ataque: frutificação

Danos: é uma praga extremamente agressiva, que se multiplica rapidamente. A lagarta, que ataca os frutos, também se alimenta de folhas e hastes. Quando adulta, a mariposa pode percorrer distâncias de até mil quilômetros, o que facilita a sua dispersão.

Dicas para o controle da praga: em função dos danos causados pela Helicoverpa armigera, a Coordenação de Agrotóxicos e Afins (CGAA) do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), lançou em novembro de 2013 a Portaria 1.109 (leia aqui) que permitiu o uso emergencial de cinco tipos de defensivos, à base de Vírus VPN-HzSNPV, Bacillus thuringiensis, Clorantraniliprole, Clorfenapyr e Indoxacarbe.

O controle químico é importante, mas deve ser usado na hora certa e sempre integrado a outras estratégias de manejo. O monitoramento permanente deve ser rotina nas propriedades e, por isso, o nível de ação da praga deve ser o embasamento para as ações de controle.

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