O que você precisa saber sobre adubação fosfatada ?

“A data de semeadura é a data da colheita”, essa frase é comum entre produtores e alguns agrônomos que trabalham diariamente com produção de grãos. Ela resume basicamente que devemos ter muito cuidado com o que estamos plantando, quando e como estamos conduzindo essa operação, para que quando se for colher, se possa colher o máximo potencial daquela variedade para aquelas condições climáticas e de solo.

Apesar dos anos de experiência em cultivar, a época do plantio ainda tira o sono de muitos produtores e trabalhadores do campo, pois envolve processos que influenciam diretamente no desenvolvimento da lavoura até sua colheita. Um plantio bem feito, na época certa pode livrar de muitos problemas posteriores. Durante esse período uma das operações mais importantes é a adubação do solo. Principalmente em solos do Cerrado, naturalmente pobres na maioria dos nutrientes, o fósforo se impõe como um dos mais complexos devido à sua participação na produtividade, pois sem ele a planta é incapaz de se desenvolver.

Dos macronutrientes essenciais às plantas, o Fósforo (P) é o elemento que limita mais frequentemente a produção das culturas na região dos cerrados. Isso, porque geralmente nossos solos são pobres e ácidos além deste nutriente apresentar-se em formas pouco disponíveis aos vegetais e pela baixa solubilidade dos fertilizantes fosfatados.

No solo o P está imobilizado, quando encontrado na forma orgânica não assimilável pelas plantas ou torna-se disponível pela mineralização da matéria orgânica, pode ainda está adsorvido, que é a fração de fósforo presa ao complexo coloidal do solo e disponível através de trocas com as raízes. O fósforo possui alta taxa de adsorção em solos de regiões tropicais, isto é, fica retido na superfície dos sólidos através de interações de natureza química ou física, especialmente em solos com textura mais argilosa.

Solos ácidos comprometem muito a disponibilidade do P, bem como teor de argila, manejo e capacidade da planta em extraí-lo. O Fósforo quando em fontes prontamente disponíveis não deve jamais ser aplicado em solos de pH ácido o que anularia sua ação tornando-o indisponível, ou seja, a calagem tem que ser feita bem antes da fosfatagem. Até a forma como é aplicado pode suprimir sua disponibilidade, pois é um nutriente de baixa mobilidade o que dificulta seu transporte até a raiz da planta.

Fonte e formas de aplicação de Fósforo

A adubação fosfatada historicamente tem sido realizada no sulco do plantio em virtude da baixa mobilidade do fósforo no solo. Porém, os resultados de pesquisas demonstram a viabilidade da aplicação a lanço (foto abaixo), quando já foi feita a adubação corretiva, com vantagens econômicas e operacionais de plantio. Para este tipo de aplicação de P, o produtor priorizará buscar fontes de fósforo de menor solubilidade, como o fosfato natural reativo, principalmente para adubação corretiva, embora a comercialização no Brasil seja limitada.

Fonte Foto: Galpão Centro Oeste

No entanto, deve-se atentar que quando o Fósforo é adicionado a lanço em condições de baixa umidade e de baixas concentrações prévias presentes, ele pode ficar inerte na superfície do solo e concentrado nos primeiros centímetros, tornando assim nutriente limitante ao desenvolvimento da cultura. Sendo assim, a aplicação antecipada da adubação fosfatada pode ser vantajosa do ponto de vista operacional, mas requer maiores estudos para avaliar possíveis compensações, devido à menor eficiência de aproveitamento do nutriente. Alguns trabalhos constataram que a adubação fosfatada foi mais eficiente em Latossolos do que em Neossolo Quartzarênico.

A forma mais utilizada de adubação fosfatada é na forma parcelada concomitante a semeadura de super fosfato simples ou triplo, contudo sempre que possível deve se optar pela aplicação de cloreto de potássio de forma parcelada após a semeadura. Essa prática, diminui perdas devido a ocorrência de chuvas excessivas e previne a salinização da linha de semeadura, a qual por sua vez reduz a germinação e emergência de plântulas.

Portanto, cada fonte e forma de aplicação de Fósforo deve ser analisada e escolhida de forma particular pelo produtor e dependerá do histórico de manejo da área, do histórico das análises de solo e umidade do local e da qualidade do sistema de manejo atualmente adotado pela fazenda.

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Fonte foto: Site adubar para o futuro

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