Fundamentos e ajustes no Sistema de Plantio Direto (SPD)

A adoção do Sistema de Plantio Direto na palha (SPD) é um fator importante no desenvolvimento do agronegócio brasileiro à partir dos anos 70. Foi isso que promoveu o Brasil de importador à condição de segundo maior exportador global de alimentos. 

A adoção do SPD representou para a solução de antigos problemas de erosão dos solos e sua consequente degradação, resultando em baixa produtividade no campo e pobreza nas cidades. O SPD tem três fundamentos para funcionar adequadamente, são eles:

  1. ##### Baixo revolvimento do solo;
  2. ##### Que ocorra formação de abundante palhada;
  3. ##### Que seja realizada a rotação de culturas.

Esse sistema mostrou excelentes resultados nas duas últimas décadas, por esse motivo muitos produtores adquiriram excesso de confiança no sistema e descuidaram dos fundamentos que o regem, permitindo inclusive a eliminação dos terraços de contenção das enxurradas para facilitar as operações de semeadura e colheita, com o agravante de realizar tais operações morro abaixo.

O ponto mais crítico de desvio do rumo certo do SPD está relacionado com o acúmulo insuficiente de palhada na superfície do solo, resultado da prática deficiente da rotação de culturas. A rotação é um fator fundamental na formação abundante da palhada, a qual favorece a proteção do solo e conservação da umidade, além de ajudar no controle das plantas daninhas. O produtor não precisa substituir toda a área cultivada com milho safrinha por trigo, aveia ou pastagem, mas é bom substituir parte dela para reduzir o atropelo na colheita da soja e plantio do milho, além de diminuir a compactação do solo pelo excesso de trânsito de máquinas num período normalmente mais chuvoso.

Outra prática relevante para aprimorar a rotação de culturas seria a substituição de parte da soja semeada na primavera (25%) por milho, garantido milho em toda a área a cada quatro anos.

A palhada de trigo, embora em menor quantidade em relação a do milho safrinha, apresenta maior cobertura do solo, resultando em maior retenção da água das chuvas e melhor controle de plantas daninhas que resistem aos herbicidas, como a buva, por exemplo.

Contudo a palhada do milho é deficiente na cobertura do solo, então recomenda-se incrementá-la cultivando braquiária entre as fileiras do milho. Muitos se preocupam se vai competir com o milho, sim é possível, mas diante dessa possibilidade recomenda-se que se aplique uma pequena dose de herbicida para atrasar o desenvolvimento do pasto, o qual se desenvolverá a pleno quando o milho amadurecer, deixando um colchão de massa verde, que, somado à resteva do milho, deixará o solo bem protegido contra a erosão, a perda de umidade e a proliferação de plantas daninhas, além de oportunizar lucros servindo de foragem para o engorde de bovinos. Com muita palhada, seria até possível distanciar um pouco mais os terraços, sem, no entanto, eliminá-los.

Segundo o engenheiro agrônomo Amélio Dall’Agnol, da Embrapa Soja, “o SPD foi e é muito relevante para o crescimento do agronegócio brasileiro. Ele merece os ajustes necessários para que continue sendo sustentável em longo prazo”.

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Fonte: Mais Soja

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